O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, destaca que a hipertensão arterial sistêmica é uma das condições crônicas mais prevalentes na população idosa brasileira, afetando mais de 70% das pessoas acima dos 70 anos. Essa condição representa um dos principais fatores de risco para AVC, infarto, insuficiência cardíaca e doença renal crônica. Ele identifica a hipertensão mal controlada como uma das causas mais frequentes de internações evitáveis entre os idosos atendidos pelo projeto no sertão cearense. Tratar a pressão arterial no idoso, contudo, exige uma abordagem que vai muito além da simples prescrição de anti-hipertensivos.
Como o envelhecimento altera a fisiologia da pressão arterial?
O envelhecimento provoca alterações estruturais nas artérias, que perdem progressivamente sua elasticidade e se tornam mais rígidas, fenômeno conhecido como arteriosclerose. Essa rigidez arterial é a principal responsável pelo padrão de hipertensão sistólica isolada, muito comum em idosos, no qual a pressão máxima está elevada enquanto a mínima permanece normal ou até baixa. Diferentemente do padrão observado em adultos jovens, essa forma de hipertensão tem características específicas que influenciam tanto o risco cardiovascular quanto as estratégias de tratamento mais adequadas.
Outro fenômeno relevante no idoso hipertenso é a hipotensão ortostática, definida como a queda significativa da pressão arterial ao se levantar de uma posição sentada ou deitada. Essa condição, favorecida pelo uso de anti-hipertensivos, pelo envelhecimento dos mecanismos de regulação autonômica e pela desidratação frequente em idosos, é uma causa importante de tonturas, desmaios e quedas. Conforme aponta o Doutor Yuri Silva Portela, qualquer plano terapêutico para hipertensão no idoso precisa considerar esse risco e incluir medidas para minimizá-lo.
Quais são as metas pressóricas recomendadas para idosos?
As metas de pressão arterial para idosos são objeto de debate contínuo na literatura médica, e as recomendações têm evoluído à medida que novos estudos clínicos trazem evidências mais robustas. De forma geral, as diretrizes atuais recomendam metas individualizadas que considerem a idade, a fragilidade, a presença de outras doenças e a tolerância do paciente ao tratamento. Para idosos robustos e funcionalmente preservados, metas mais próximas das recomendadas para adultos jovens são geralmente seguras e benéficas. Para idosos frágeis, metas menos rígidas reduzem o risco de hipotensão e seus efeitos adversos.
O Doutor Yuri Silva Portela sublinha que a decisão sobre a meta pressória adequada para cada paciente é uma das mais importantes e individualizadas da prática geriátrica, e não deve ser baseada exclusivamente na idade cronológica. Um idoso de 80 anos, funcionalmente ativo e cognitivamente preservado, pode se beneficiar de um controle mais rigoroso da pressão, enquanto um idoso de 70 anos, frágil e com múltiplas comorbidades, pode ser prejudicado por esse mesmo nível de controle.

Como o tratamento da hipertensão no idoso vai além dos medicamentos?
As medidas não farmacológicas têm papel fundamental no controle da hipertensão em qualquer faixa etária, e no idoso não é diferente. Redução do consumo de sódio, prática regular de atividade física adaptada às condições do paciente, manutenção de peso adequado, moderação no consumo de álcool e cessação do tabagismo são intervenções com impacto comprovado sobre a pressão arterial e sobre o risco cardiovascular geral. Essas mudanças de estilo de vida, quando sustentadas ao longo do tempo, podem reduzir a necessidade de medicamentos ou potencializar significativamente seus efeitos.
A adesão ao tratamento anti-hipertensivo é um desafio particular no idoso, especialmente quando o esquema terapêutico é complexo e envolve múltiplos medicamentos com horários diferentes. O Doutor Yuri Silva Portela e a equipe do Humaniza Sertão orientam famílias e cuidadores sobre estratégias práticas para organizar a medicação do idoso, monitorar a pressão em casa e identificar sinais de efeitos adversos que precisam de avaliação médica. Esse suporte educativo é tão importante quanto a prescrição em si para garantir que o tratamento produza os resultados esperados.
Hipertensão controlada é autonomia preservada
O controle adequado da pressão arterial no idoso não é apenas uma meta clínica: é uma condição para que ele continue vivendo com autonomia, participando das atividades que valoriza e mantendo sua qualidade de vida ao longo dos anos. Cada AVC evitado, cada internação por insuficiência cardíaca prevenida e cada episódio de hipotensão evitado representa um ganho concreto em termos de funcionalidade e bem-estar.
O trabalho desenvolvido pelo Doutor Yuri Silva Portela no Humaniza Sertão demonstra que é possível oferecer acompanhamento geriátrico de qualidade mesmo em contextos de grande vulnerabilidade, garantindo que idosos que nunca tiveram acesso a cuidado especializado possam ter sua pressão arterial monitorada e tratada de forma adequada. Verifique se o idoso que você acompanha está com a pressão controlada e, em caso de dúvida, busque avaliação geriátrica.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez


