Com ao menos 11 pré-candidatos ao Palácio Paiaguás e nenhum com maioria garantida, a disputa pelo governo mato-grossense promete ser a mais competitiva da redemocratização.
Mato Grosso sempre resolveu suas eleições para governador na primeira rodada. Desde a redemocratização, nomes como Blairo Maggi, Silval Barbosa e, mais recentemente, Mauro Mendes consolidaram vitórias expressivas sem precisar de um segundo turno. Essa tradição, porém, está sob séria ameaça em 2026. Com ao menos 11 pré-candidatos ao governo do estado e um eleitorado dividido entre diferentes projetos políticos, os levantamentos de intenção de voto mostram que nenhum nome consegue, por enquanto, reunir votos suficientes para ganhar no primeiro turno. A disputa pelo Palácio Paiaguás pode se tornar a mais competitiva e imprevisível da história recente do estado.
A mudança de cenário começa com a saída antecipada de Mauro Mendes do Executivo estadual. Após seis anos na chefia do governo, ele deixou o cargo em abril de 2026 para concentrar esforços na corrida ao Senado Federal, respeitando o prazo exigido pela legislação eleitoral. Com isso, o vice-governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, assumiu o Palácio Paiaguás em caráter temporário e, ao mesmo tempo, ingressou na disputa como candidato à eleição de outubro. Produtor rural e ex-prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos, Pivetta busca consolidar o apoio do campo conservador e do agronegócio para traduzir a continuidade administrativa em capital eleitoral.
Wellington Fagundes lidera, mas os cenários são incertos
Segundo levantamento do instituto Real Time Big Data, realizado entre os dias 30 de maio e 1º de junho de 2026 com 1.600 entrevistados, o senador Wellington Fagundes, do PL, lidera os cenários estimulados de primeiro turno com pelo menos 11 pontos percentuais de vantagem sobre os demais pré-candidatos. Nas simulações de segundo turno, ele venceria Jayme Campos (União Brasil), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Natasha Slhessarenko (PSD). Mas esse favoritismo tem limites claros: a dispersão dos votos entre candidatos competitivos impede qualquer um de consolidar uma maioria absoluta no primeiro turno.
Médico veterinário com mais de três décadas na política federal, Wellington Fagundes tenta converter o respaldo do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e a identificação do eleitorado bolsonarista em estrutura de campanha suficiente para vencer logo na primeira rodada. No entanto, uma declaração recente gerou ruído no campo aliado: ao afirmar que, se eleito, pretende interromper as obras do Parque Novo Mato Grosso para priorizar habitação popular e infraestrutura básica, Fagundes se chocou com uma das principais vitrines da gestão Mauro Mendes. A repercussão negativa revelou que o caminho até a vitória ainda carrega armadilhas para o candidato favorito.
O papel do agronegócio e os nomes que movem o Senado
Enquanto a disputa pelo Executivo está mais difusa, a corrida ao Senado tem dois nomes em posição de destaque: o próprio Mauro Mendes (União Brasil) e a deputada estadual Janaína Riva (MDB). Em 2026, dois senadores serão eleitos em Mato Grosso, o que amplia o interesse dos partidos e movimenta articulações em todos os escalões da política estadual. José Medeiros (PL), que já figura como possível candidato ao Senado, aparece com crescimento consistente nas pesquisas e representa o flanco mais direito da disputa pelo segundo assento.
O agronegócio, como de costume em Mato Grosso, será o fiel da balança. O estado é o maior produtor de soja do país, e as lideranças rurais do interior exercem influência decisiva tanto nas convenções partidárias quanto no comportamento do eleitorado em outubro. O problema, desta vez, é que essas lideranças estão divididas entre projetos distintos, o que contribui exatamente para a fragmentação que pode resultar em segundo turno inédito. A deputada Natasha Slhessarenko (PSD), que representa o campo de oposição ao conservadorismo estadual, tem se mostrado competitiva nas simulações e pode polarizar o debate caso se confirme como a escolha do eleitorado alinhado ao governo federal.
O que está em jogo além do cargo
Mais do que escolher um governador, Mato Grosso elegerá em outubro quem vai conduzir o estado nos próximos quatro anos em meio a desafios de enorme complexidade: segurança pública, com o avanço de facções criminosas nas fronteiras agrícolas; infraestrutura logística, essencial para escoar a produção do maior celeiro do país; e a gestão ambiental do Pantanal e do Cerrado, pressionada por acordos internacionais e pela crescente demanda por rastreabilidade e sustentabilidade nas cadeias produtivas.
O novo governador também herdará o desafio de administrar uma Assembleia Legislativa com articulações em ebulição. O presidente da Casa, Max Russi (Podemos), não descarta lançar candidatura ao governo, o que ampliaria ainda mais o leque de nomes no páreo. Com as convenções partidárias ainda por acontecer e as coligações em negociação, o mapa político de Mato Grosso permanece em movimento. O que parece certo, até aqui, é que o estado viverá uma campanha diferente de tudo que os mato-grossenses já assistiram nas últimas décadas.
Fontes: ND Mais – Pré-candidatos MT 2026 | ND Mais – Eleições MT 2026 | Real Time Big Data / Gazeta do Povo | ND Mais – Projeções 2026 | Cenário MT


