Inovação funerária além do óbvio: tendências que estão transformando o setor em 2026

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 6 Min de leitura
6 Min de leitura
Tiago Oliva Schietti

Tiago Oliva Schietti pontua que a chegada simultânea de novas tecnologias, novas demandas sociais e uma geração de consumidores que não aceita mais que a despedida de seus entes queridos seja tratada com descuido ou frieza. O resultado é um setor em efervescência, em que a inovação funerária deixou de ser diferencial e passou a ser requisito.

A transformação não é superficial. Ela envolve desde a digitalização completa de registros e atendimentos até a adoção de inteligência artificial para gestão de espaços, passando pela reformulação arquitetônica dos ambientes funerários e pela oferta crescente de alternativas ecológicas ao sepultamento convencional. Cada uma dessas frentes representa, ao mesmo tempo, uma resposta às exigências do presente e uma aposta concreta na relevância futura do setor.

O que este artigo propõe é compreender quais tendências se consolidaram, o que elas representam tanto para os gestores quanto para as famílias, e por que o ano de 2026 é um marco significativo nessa jornada de transformação. Continue lendo para entender de que forma a tecnologia funerária está reformulando cada aspecto da cerimônia de despedida em nosso país.

Por que 2026 marca um ponto de virada para a tecnologia funerária?

A pandemia de Covid-19 funcionou como um catalisador forçado para o setor funerário brasileiro. Em um período em que os rituais tradicionais de despedida foram severamente limitados, empresas e cemitérios precisaram encontrar formas alternativas de oferecer suporte às famílias: transmissões ao vivo de sepultamentos, plataformas digitais de condolências, atendimento remoto para documentação. 

Essas soluções nasceram da urgência, mas revelaram um potencial que vai muito além da situação que as originou. Como empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti explica que esse período evidenciou que a tecnologia funerária não é um luxo reservado aos grandes operadores privados, mas uma necessidade operacional e humana para qualquer serviço que queira atender às expectativas das famílias contemporâneas. 

Inteligência artificial no cemitério: ficção científica ou realidade que já chegou?

A inteligência artificial entrou no setor funerário de forma mais discreta do que em outros segmentos, mas sua presença já é concreta e crescente. Ferramentas de IA estão sendo aplicadas para otimizar a gestão de espaços em cemitérios, prever a demanda de sepultamentos por sazonalidade, automatizar o atendimento inicial das famílias em plataformas digitais e cruzar dados históricos de ocupação com projeções de expansão territorial. 

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

A eficiência operacional que essas aplicações proporcionam é direta, mensurável e cada vez mais acessível a operadores de diferentes portes. Como constata Tiago Oliva Schietti, a automação não representa uma ameaça ao elemento humano, que é central no atendimento funerário, mas uma forma de liberar os profissionais do setor para o que nenhuma máquina consegue substituir: a escuta empática, o acolhimento genuíno, a presença cuidadosa no momento mais difícil da vida de uma família. 

Sustentabilidade como inovação: o setor funerário diante do desafio ambiental

Uma das tendências de maior crescimento no setor funerário global é a busca por alternativas ecologicamente responsáveis ao sepultamento e à cremação tradicionais. Urnas biodegradáveis, sepultamentos naturais em áreas de reflorestamento, a hidrólise alcalina (também chamada de cremação aquosa) e iniciativas de transformação dos restos mortais em composto orgânico para o plantio de árvores representam uma nova fronteira onde ética ambiental e cuidado com os que partiram se encontram de forma inédita.

Segundo o empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti, o Brasil ainda está nos primeiros passos dessa tendência, em parte pela necessidade de atualização do marco regulatório sanitário e ambiental, e em parte pela resistência cultural que naturalmente acompanha qualquer mudança em práticas tão carregadas de simbolismo.

O que as famílias brasileiras esperam de um serviço funerário moderno?

A resposta a essa pergunta mudou substancialmente nos últimos dez anos. Se antes o critério dominante era o preço, seguido pela localização do cemitério, hoje as famílias colocam a qualidade do atendimento, a transparência das informações e a possibilidade de personalização entre os fatores decisivos na escolha de um serviço funerário. Essa transformação de prioridades reflete uma mudança profunda na forma como a sociedade brasileira se relaciona com a morte e com os rituais de despedida.

Como considera Tiago Oliva Schietti, a personalização é uma das palavras-chave da inovação funerária contemporânea. Famílias querem cerimônias que reflitam verdadeiramente quem foi o falecido, com músicas que ele amava, com elementos visuais que contam sua história, com espaços adaptados para receber crianças ou para acomodar grupos amplos. Cemitérios e funerárias que criam estruturas para atender a esse desejo oferecem um serviço qualitativamente diferente, capaz de transformar um momento de dor em uma experiência de celebração e de honra à vida que se foi.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Compartilhe este artigo