Franco Douglas Lima Dias e o Instituto Visão Conectada: como nasceu o projeto que doa óculos a estudantes da rede pública

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 6 Min de leitura
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Franco Douglas Lima Dias

A crescente demanda por iniciativas que conectem saúde e educação na rede pública brasileira encontra no Instituto Visão Conectada um exemplo construído a partir de uma história pessoal. Franco Douglas Lima Dias, empresário e idealizador do Projeto Visão em Dia, fundou o instituto depois de compreender, pela própria trajetória, o que significa crescer sem diagnóstico visual dentro de um sistema que não foi projetado para identificar esse tipo de problema de forma proativa.

O instituto estrutura as ações do programa, coordena as visitas às escolas e garante que cada ciclo de atendimentos chegue com equipe e equipamentos adequados para realizar triagens individualizadas e entregar óculos sem custo para as famílias. Desde o início das atividades, o Projeto Visão em Dia já ultrapassou 5 mil atendimentos, distribuiu cerca de 2 mil óculos e contemplou 18 unidades de ensino na região do Alto Tietê.

O que o Instituto Visão Conectada construiu ao longo desse percurso é tanto uma estrutura operacional quanto um argumento concreto sobre o que iniciativas privadas podem fazer onde o sistema público ainda não chegou.

Qual foi o ponto de partida do Instituto Visão Conectada?

Franco Douglas Lima Dias chegou à adolescência com quase dez graus de miopia sem diagnóstico. O problema visual, que comprometia seu desempenho escolar há anos, nunca havia sido identificado por nenhum serviço de saúde ou pelo ambiente escolar. Com o tempo, desenvolveu ceratocone, doença degenerativa da córnea que avança silenciosamente e que, detectada tardiamente, limita as opções de tratamento disponíveis.

A compreensão de que aquela experiência não era singular, de que havia milhares de crianças passando pelo mesmo caminho sem que ninguém identificasse o problema, foi o que motivou a criação do Instituto Visão Conectada e do Projeto Visão em Dia. Como pontua o próprio idealizador, a necessidade que ele viveu virou o propósito que orienta cada ação do programa.

Como o instituto estrutura as ações do Projeto Visão em Dia?

O modelo operacional desenvolvido pelo Instituto Visão Conectada parte de três pilares integrados: triagem individualizada, diagnóstico completo e entrega da correção visual no mesmo dia do atendimento. A equipe chega à escola com equipamentos que permitem identificar não apenas miopia e astigmatismo simples, mas também condições mais complexas, como o ceratocone, que exige instrumentos específicos para detecção.

Franco Douglas Lima Dias
Franco Douglas Lima Dias

Conforme detalha a estrutura do programa, a integração entre diagnóstico e entrega é o que garante que o atendimento produza impacto real. Uma triagem que identifica o problema sem entregar a solução, deixa a família diante das mesmas barreiras que a impediram de chegar ao serviço em primeiro lugar. O instituto foi estruturado para que esse hiato não exista dentro do modelo do Visão em Dia.

Quais resultados o Instituto Visão Conectada documentou até agora?

Ao longo dos ciclos de ação realizados desde a fundação do instituto, o Projeto Visão em Dia produziu um acúmulo de resultados que vai além dos números absolutos. Mais de 5 mil atendimentos realizados e cerca de 2 mil óculos distribuídos são dados que traduzem volume, mas o impacto mais significativo está nos diagnósticos que o programa encontrou onde nenhum serviço havia chegado antes.

Na ação realizada na APAE de Ferraz de Vasconcelos, dois alunos foram diagnosticados com ceratocone sem nenhum histórico oftalmológico anterior. A diretora da instituição, Lara Benute, resumiu o que aquela visita representou: “Algo que só foi possível identificar por causa do atendimento realizado aqui.” Para Franco Douglas Lima Dias, cada caso como esse é a confirmação de que o instituto está operando exatamente onde precisa operar.

De que forma o instituto se sustenta para manter o programa em funcionamento?

O Projeto Visão em Dia oferece seus serviços de forma completamente gratuita para as famílias atendidas. A sustentabilidade do programa está na estrutura construída pelo Instituto Visão Conectada ao longo de seus ciclos de atuação e no compromisso de Franco Douglas Lima Dias com a continuidade e expansão da iniciativa.

O modelo adotado pelo instituto não depende de contribuições das famílias beneficiadas nem impõe qualquer contrapartida às escolas que recebem o programa. A lógica é a mesma que orientou a criação do Visão em Dia desde o início: chegar onde o acesso não existe e entregar o que aquelas crianças precisam, sem condições e sem burocracia.

Quais são os planos do Instituto Visão Conectada para os próximos ciclos?

Segundo informações sobre a iniciativa, Franco Douglas Lima Dias mantém o foco na expansão do programa para novas unidades de ensino e instituições, além das 18 já contempladas. O objetivo é ampliar o alcance do Visão em Dia para municípios e ambientes que ainda não foram atendidos, levando o modelo desenvolvido pelo Instituto Visão Conectada para onde a demanda existe e onde nenhuma outra estrutura chegou.

Cada novo ciclo de ações representa não apenas mais atendimentos realizados, mas a consolidação de um modelo que foi sendo refinado ao longo de mais de 5 mil diagnósticos. O que o instituto construiu em Ferraz de Vasconcelos e na região do Alto Tietê é a base sobre a qual essa expansão será construída.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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