De acordo com Guilherme Campos, investidor com atuação consolidada no setor imobiliário e agro de Roraima, há um movimento que ainda passa despercebido para grande parte dos analistas econômicos do país: o estado começa a reunir condições que, em outras regiões brasileiras, antecederam ciclos expressivos de crescimento e valorização. Compreender, portanto, o que posiciona Roraima nesse estágio e como essa trajetória se compara a outros mercados emergentes do Brasil é um exercício relevante para investidores, empreendedores e gestores públicos que precisam tomar decisões de longo prazo.
Regiões emergentes compartilham características comuns em seus estágios iniciais de desenvolvimento: disponibilidade de terra, demanda reprimida por serviços e infraestrutura, crescimento populacional acima da média nacional e baixa competição nos setores produtivos mais relevantes. Roraima apresenta todos esses elementos simultaneamente, o que cria uma janela de oportunidade que tende a se estreitar à medida que o mercado amadurece e atrai mais competidores.
Neste conteúdo, exploramos os paralelos entre Roraima e outras fronteiras econômicas brasileiras que já percorreram esse caminho.
O que define uma região economicamente emergente?
O conceito de região emergente no contexto brasileiro vai além da simples ausência de desenvolvimento. Ele descreve territórios que reúnem potencial produtivo relevante, mas que ainda não foram plenamente integrados aos fluxos nacionais de capital, tecnologia e mão de obra qualificada. Essa condição cria simultaneamente limitações e vantagens: os custos de entrada são menores, a competição é menor e o potencial de valorização dos ativos é proporcionalmente maior do que em mercados já consolidados.
Conforme explica Guilherme Campos, o Centro-Oeste brasileiro passou por esse estágio nas décadas de 1970 e 1980, quando a expansão da fronteira agrícola transformou estados como Mato Grosso e Goiás em protagonistas do agronegócio nacional. O que era cerrado pouco valorizado tornou-se, em poucas décadas, uma das regiões mais produtivas e economicamente dinâmicas do país. Vale destacar que esse processo não foi espontâneo: resultou de decisões de investimento tomadas por empreendedores que enxergaram o potencial antes que ele se tornasse óbvio.
Paralelos com o crescimento do Centro-Oeste e do Tocantins
A comparação entre Roraima e o processo de desenvolvimento do Centro-Oeste e do Tocantins revela padrões que se repetem com regularidade. Em todos esses casos, o crescimento foi precedido por um período de investimento em infraestrutura básica, regularização fundiária e atração de capital externo. A chegada de empreendedores dispostos a operar em condições de incerteza foi o gatilho que acelerou a transformação econômica dessas regiões.
Conforme analisa Guilherme Campos, Roraima se encontra em um estágio que guarda semelhanças com o que o Tocantins viveu nos anos seguintes à sua criação como estado, em 1988. Em ambos os casos, a necessidade de construir estruturas produtivas praticamente do zero, combinada com a disponibilidade de recursos naturais e o apoio de políticas públicas de desenvolvimento regional, criou condições para um crescimento que, embora lento no início, ganhou consistência e escala ao longo do tempo.

Diferenciais que tornam Roraima um caso particular
Apesar das semelhanças com outras regiões emergentes, Roraima apresenta características que tornam sua trajetória de desenvolvimento particular. Entre elas, destaca-se o potencial de integração com os mercados do norte da América do Sul, favorecido por sua localização geográfica e pelas perspectivas de fortalecimento da infraestrutura logística regional.
Além disso, a Zona de Livre Comércio de Boa Vista e Bonfim oferece incentivos fiscais que reduzem o custo de operação para empresas instaladas na região, criando vantagens competitivas que outros mercados emergentes brasileiros não dispõem. Para empreendedores que conseguem estruturar operações que aproveitam esses benefícios, o retorno sobre o investimento tende a ser significativamente maior do que em mercados sem esse tipo de incentivo.
O momento de entrar em um mercado emergente
A janela de oportunidade em mercados emergentes tem prazo. À medida que o desenvolvimento avança, os preços dos ativos sobem, a competição aumenta e as margens se comprimem. Quem entra cedo assume mais risco, mas captura uma parcela maior da valorização. Em contrapartida, quem espera pela consolidação do mercado opera com mais segurança, mas paga um preço mais alto por essa segurança.
Na avaliação de Guilherme Campos, o momento mais favorável para investir em uma região emergente é aquele em que a infraestrutura básica já está em construção, mas ainda não está concluída. É nesse intervalo que os preços ainda não refletem o potencial futuro da região e que as melhores localizações ainda estão disponíveis. Perder esse momento significa, quase sempre, pagar mais caro por oportunidades menores nos anos seguintes.
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