Mato Grosso voltou a ocupar a primeira posição entre os estados brasileiros com mais focos de calor registrados neste mês de agosto, e a marca se repete também no acumulado do ano.
O dado chama atenção justamente no momento em que o estado atravessa o pico da estiagem, período em que a vegetação seca facilita a propagação do fogo em áreas rurais e urbanas.
Os números que preocupam
Levantamento do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, mostra que Mato Grosso somou 1.094 focos de calor até o dia 13 de agosto. O Pará aparece na sequência, com 718 registros no mesmo período, uma diferença expressiva que evidencia a dimensão do problema no território mato-grossense. Quando o cálculo considera todo o ano de 2026, o estado soma 4.838 ocorrências, à frente de Tocantins, com 4.214, Bahia, com 3.264, Pará, com 3.250, e Maranhão, com 3.130.
Esses números representam detecções de calor via satélite, não necessariamente incêndios de grandes proporções, mas funcionam como um termômetro confiável da pressão do fogo sobre o território. Quanto mais focos, maior o risco de que parte deles evolua para incêndios florestais de difícil controle, sobretudo em regiões de vegetação densa e acesso limitado.
Restrição ao uso do fogo segue até novembro
Desde 1º de julho, está proibido o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal em todo o estado. A medida vale até 30 de novembro e pode ser prorrogada conforme a evolução da estiagem. Nas áreas urbanas de Mato Grosso, a proibição é permanente, valendo durante todo o ano, independentemente da época de maior ou menor risco.
A regra busca reduzir a quantidade de queimadas provocadas intencionalmente para preparo de solo, prática comum entre produtores rurais em outras épocas do ano, mas que se torna especialmente perigosa durante os meses secos. Especialistas ouvidos pela imprensa especializada reforçam que a origem de um incêndio não pode ser presumida apenas pelo local onde o fogo é registrado, já que determinar a causa real exige investigação técnica.
Diante do cenário, entidades ligadas ao setor produtivo têm orientado os produtores a reforçar as ações preventivas durante o período de seca, que costuma se estender até o início da temporada de chuvas. Entre as medidas discutidas está a certificação de propriedades cadastradas no sistema do Corpo de Bombeiros, destinada a quem comprova atuação preventiva consistente ao longo da estiagem.
Esse tipo de certificação tende a ganhar peso comercial nos próximos anos, já que compradores internacionais de commodities agrícolas, especialmente da União Europeia, vêm exigindo cada vez mais rastreabilidade ambiental nas cadeias de soja, milho e carne. Um produtor certificado como preventivo tem argumento adicional para negociar contratos mais exigentes em critérios de sustentabilidade.
O que muda no dia a dia de quem vive no campo e na cidade
Para o produtor rural, a recomendação prática é planejar qualquer necessidade de manejo de área fora da janela de restrição, evitando autuações e, principalmente, o risco de que uma queima controlada fuja de controle em condições de baixa umidade. Para quem vive nas cidades do estado, a orientação de órgãos ambientais é evitar completamente qualquer queima de lixo, resíduos de poda ou terrenos baldios, já que a proibição urbana não tem prazo de validade.
Moradores também podem colaborar denunciando focos suspeitos aos canais oficiais de bombeiros e defesa civil, já que a identificação rápida de um princípio de incêndio costuma ser decisiva para evitar que ele se espalhe. Em regiões próximas a áreas de vegetação nativa, a atenção redobrada nesta época do ano ajuda a proteger tanto plantações quanto residências.
Com a estiagem devendo se estender pelas próximas semanas, a expectativa de órgãos estaduais é que o monitoramento por satélite continue sendo a principal ferramenta para antecipar riscos e direcionar equipes de combate às regiões mais críticas do estado.
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