O início da safra de verão 2026/2027 exige atenção dos produtores de Mato Grosso diante da irregularidade das chuvas e das temperaturas elevadas. Em alerta publicado e atualizado em 22 de setembro de 2026, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que os volumes previstos para os dias seguintes ainda poderiam ser insuficientes para recuperar a umidade do solo em grande parte de Mato Grosso e Goiás.
O cenário é relevante para a implantação das lavouras de sequeiro, especialmente de soja e milho. Embora pancadas isoladas possam criar condições momentaneamente favoráveis à semeadura, a ocorrência de chuva em um único episódio não assegura a disponibilidade de água necessária para a germinação, a emergência e o desenvolvimento inicial das plantas.
Previsão aponta chuva concentrada em parte da região
Segundo o Inmet, a previsão para o período de 22 a 29 de setembro indicava acumulados entre 10 e 30 milímetros em áreas do sul de Goiás e de Mato Grosso. Ao mesmo tempo, outras regiões deveriam permanecer com baixos volumes de precipitação, o que reforça a necessidade de avaliar as condições específicas de cada município e propriedade antes de iniciar o plantio.
A distribuição da chuva também é um fator determinante. Mesmo quando há registro de precipitação, a água pode não ser suficiente ou não permanecer disponível no solo pelo tempo necessário para garantir a uniformidade da lavoura. No norte e no sudoeste de Mato Grosso, as temperaturas máximas poderiam superar 30 °C, aumentando a atenção sobre a umidade disponível durante a fase inicial das culturas.
Baixa umidade pode comprometer a emergência
A semeadura em solo com pouca umidade pode resultar em falhas de estande, germinação desuniforme e dificuldades no desenvolvimento inicial das plantas. Na prática, isso significa que parte das sementes pode não germinar ou pode emergir em momentos diferentes, deixando a lavoura menos uniforme e aumentando a necessidade de reavaliação da área.
Esse risco não depende apenas do volume acumulado em uma previsão regional. A condição observada em cada talhão pode variar conforme a chuva efetivamente registrada, a umidade já presente no solo e as características locais. Por isso, o alerta meteorológico deve ser interpretado em conjunto com a realidade da propriedade, sem considerar uma pancada isolada como garantia de estabilidade para o plantio.
Quando a implantação da soja é atrasada, também pode haver impacto sobre o calendário das áreas destinadas à sucessão com milho. A janela disponível para a segunda safra depende do avanço da primeira cultura e das condições climáticas posteriores. Assim, decisões tomadas no começo da semeadura podem influenciar o planejamento das etapas seguintes da produção.
Inmet recomenda acompanhamento contínuo
O Inmet recomenda que os produtores acompanhem continuamente as previsões e os avisos meteorológicos. A orientação inclui considerar as condições locais e as informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) antes de definir a data de plantio.
Para o produtor mato-grossense, o acompanhamento é especialmente importante porque a previsão pode apresentar diferenças entre regiões do estado. O comportamento das chuvas no sul, no norte e no sudoeste pode não ser igual, e a decisão mais segura depende da combinação entre o prognóstico atualizado, a umidade do solo e a estratégia prevista para cada área.
O alerta não representa uma interrupção geral da semeadura, mas chama atenção para a necessidade de cautela no planejamento. Com chuvas irregulares, o início do plantio de soja e milho em Mato Grosso deve ser avaliado a partir de informações atualizadas e das condições efetivamente encontradas no campo, reduzindo o risco de perdas relacionadas à germinação e à emergência das lavouras.


