Agências classificadoras de risco ampliam a cobertura de FIDCs e debêntures brasileiras, oferecendo a investidores institucionais e de varejo uma referência independente sobre a qualidade de crédito de cada estrutura
Ao avaliar uma cota sênior de um FIDC ou uma debênture de infraestrutura, um investidor institucional dificilmente se limita à leitura do prospecto e do regulamento da operação. Cada vez com mais frequência, essa análise passa também pelo rating atribuído à estrutura por uma agência classificadora de risco independente, nota que sintetiza, em uma escala padronizada, a avaliação técnica sobre a capacidade do fundo ou do emissor de honrar suas obrigações perante os investidores. No Brasil, agências especializadas em crédito estruturado mantêm hoje um volume expressivo de fundos e emissões sob cobertura, com classificações que vão de notas de grau máximo de segurança até categorias que sinalizam risco elevado, aplicadas separadamente a cada classe de cotas de um mesmo fundo.
Diferentemente de uma ação negociada em bolsa, cujo preço de mercado incorpora continuamente a percepção coletiva de risco dos investidores, uma cota de FIDC ou uma debênture sem grande liquidez em mercado secundário depende, em maior medida, de uma avaliação técnica formal para que investidores menos especializados consigam comparar o risco relativo de diferentes estruturas disponíveis no mercado. É nesse espaço que o rating de crédito cumpre seu papel mais relevante, funcionando como uma referência padronizada e comparável entre operações de naturezas distintas.
Metodologia considera qualidade dos ativos e estrutura de subordinação
A atribuição de um rating a um FIDC ou a uma emissão de debêntures envolve a análise de múltiplos fatores, que vão desde a qualidade e a pulverização dos ativos que compõem o lastro da operação até a estrutura de subordinação entre diferentes classes de cotas, passando pela solidez dos mecanismos de garantia contratados e pela qualidade da governança exercida pelo administrador fiduciário responsável pela operação. Uma classe de cotas subordinada, que absorve as primeiras perdas eventualmente registradas pela carteira, tende naturalmente a receber uma nota de risco mais conservadora do que uma classe sênior da mesma estrutura, ainda que ambas compartilhem os mesmos ativos subjacentes.
Para Lidiane dos Santos, diretora da ID CTVM, a atuação de agências classificadoras de risco reforça a importância de administradores fiduciários manterem processos de informação transparentes e bem documentados:
“Uma agência de rating depende diretamente da qualidade e da consistência das informações que recebe sobre a operação que está avaliando. Quando o administrador fiduciário mantém processos organizados de controladoria, auditoria de lastro e prestação de contas, esse trabalho facilita significativamente a atuação da agência classificadora e contribui para que a nota atribuída reflita com precisão o risco real da estrutura”, avalia a executiva.
Administrador fiduciário fornece a base de dados que sustenta a avaliação
Na prática, grande parte do trabalho de uma agência de rating depende de informações fornecidas diretamente pelo administrador fiduciário e pelo custodiante responsável por uma operação, como o histórico de inadimplência da carteira, a evolução do índice de subordinação entre classes de cotas ao longo do tempo e a documentação que comprova a existência e a validade das garantias vinculadas à estrutura. A qualidade e a tempestividade dessa informação impactam diretamente a capacidade da agência de manter o rating atualizado, especialmente em operações que exigem revisão periódica da nota atribuída.
A ID CTVM, habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais para atuar em administração fiduciária, custódia qualificada e controladoria, disponibiliza a agências classificadoras de risco contratadas por gestoras e emissores as informações necessárias para a atribuição e a manutenção de ratings de fundos e operações estruturadas sob sua administração.
Nota de rating não substitui a análise própria do investidor
Ainda que um rating elevado sinalize solidez técnica de uma estrutura, agências classificadoras de risco são unânimes ao reforçar que sua nota não substitui a análise própria de cada investidor sobre a adequação de um determinado ativo ao seu perfil e a seus objetivos de investimento. O rating funciona como uma referência complementar, e não como uma garantia de rentabilidade ou de ausência de risco, distinção que se torna especialmente relevante à medida que investidores pessoa física sem experiência prévia no mercado de crédito privado passam a ter acesso a esse tipo de informação.
Perspectivas para a cobertura de rating na indústria de crédito privado
Com a indústria brasileira de FIDCs e debêntures ampliando continuamente o volume de novas emissões, a expectativa é que a cobertura de agências classificadoras de risco sobre esse universo de ativos continue crescendo, reforçando o papel do rating como ferramenta de comparação entre estruturas de diferentes gestoras e administradores. Para administradores fiduciários, sustentar processos internos capazes de fornecer informação consistente e tempestiva às agências classificadoras deve seguir como um fator relevante para garantir que os fundos sob sua administração recebam avaliações de risco condizentes com a real qualidade de sua governança.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.


